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Perfil

Padre Tadeu

Uma conversa sobre sua vida

Por Da Redação

01/04/2021 às 11:13:46 - Atualizado há

Essa semana, nosso perfil está diferente! Quem conversou conosco foi nosso amigo, Padre Hélio Tadeu! Em novo formato, confira a entrevista com o pároco da Paróquia de Santa Rita de Cássia!

Hélio Tadeu da Silva, mais conhecido como Padre Tadeu, nasceu no dia 27 de julho de 1960, na cidade de Cajuru, também no interior paulista. O sacerdote é filho de Hélio Batista da Silva, que descansa em paz, e de Luiza Delfina Guerzoni Agnezini da Silva.ELE está em Santa Rita do Passa Quatro desde 2005.

Confira a entrevista :

O Santarritense: O senhor se lembra de alguma história interessante aqui em Santa Rita? Algum fato engraçado ou interessante o marcou?

Pe. Tadeu: Tem uma história que eu nunca pensei que ia passar. Assim que eu cheguei, no dia seguinte, me chamaram para dar a Unção em um senhor, e a Unção é um sacramento que ajuda a pessoa a somar as suas dores às dores de Jesus. Eu estava na casa dessa pessoa, que já estava partindo dessa vida, quando eu fui por as mãos sobre ele, um gato assustou e pulou e eu assustei mais que o gato. É uma história que eu sempre me lembro porque achei engraçado, era um momento tão triste, mas que ficou engraçado, porque até os familiares, que estavam ali comigo acompanhando, riram do susto que eu levei do gato.

O Santarritense: O que o senhor mais gosta aqui em Santa Rita do Passa Quatro?

Pe.Tadeu: O povo. Eu amo o povo daqui. Já fazem 15 anos que estou aqui e amo muito o povo, o povo daqui é um povo especial. Um povo aberto, que responde às solicitações, então, é o povo. Eu gosto do povo daqui. Me sinto cidadão de Santa Rita, porque eu recebi a cidadania da cidade, sou cidadão santa-ritense e voto aqui. Toda a minha vida está aqui em Santa Rita.

O Santarritense: Padre, nos conte mais sobre a sua carreira.

Pe.Tadeu: Eu, desde muito menino, sentia essa propensão ao sacerdócio, mas essa propensão se formou dentro de mim com uma forte necessidade de ajudar as pessoas porque eu entendia, desde muito cedo, que somente Jesus Cristo tem o caminho que possa fazer com que a humanidade seja promovida à dignidade de filhos de Deus. Só que, basicamente, de homem, eu sou filho único, sou só eu e uma irmã.

Meu pai era farmacêutico e sempre quis que eu continuasse a profissão dele, ele tinha farmácias e queria que eu tomasse conta das coisas, mas eu tinha aquele forte desejo no coração. Quando eu tinha uns doze para treze anos, eu falei para os meus pais que eu queria ser padre e eles, na época, me disseram: "Olha, eu acho que você está adiantado, você é muito criança, ainda não sabe bem o que você quer". Naquele momento, o meu desejo não foi muito acolhido e eu guardei tudo isso pra mim. A minha cidade (Cajuru), não tinha faculdade, como ainda hoje não tem, então, a gente fazia até o segundo colegial, que naquele tempo se chamava assim, e depois íamos para Ribeirão Preto, onde fazíamos o terceiro colegial junto com o cursinho e, então, entrávamos na faculdade para fazer o que tínhamos escolhido.

Então, eu fui para Ribeirão Preto e ali cursei o terceiro colegial, fiz cursinho preparatório para o ingresso na faculdade e prestei muitos vestibulares naquele ano e entrei. Eu entrei em medicina, entrei em odontologia, só que eu sempre promulgava a matrícula de propósito porque eu não queria aquilo. Quando uma faculdade, da qual eu havia passado, ligou em casa e mandou uma carta avisando, meus pais ficaram sabendo. Aí, foi um momento difícil, mas continuei em Ribeirão Preto, até que chegou um momento em que eu voltei para Cajuru para dizer para eles que eu iria para o seminário, apoiado ou não, naquele momento. Eu fui e eles disseram: "Olha, se você quiser, a gente te leva hoje! Porque a gente viu que você busca mesmo seguir esse caminho".

Nessa época, eu já estava mais maduro, sabia bem o que eu queria e eu fui para o Seminário Maria Imaculada, em Brodowski e aí, o bispo morreu. Eu tive que esperar outro bispo para resolver a minha situação, porque eu já tinha faculdade e algumas matérias eu poderia abreviar. Mas, não comentei nada em casa porque eu tinha muito medo deles pedirem pra eu voltar.

Depois disso, eu conversei com Dom Arnaldo, ele arrumou todo o currículo e eu fiz todo o período de seminário. Fui ordenado diácono no dia 3 de fevereiro de 1995, dia de São Brás. Fiquei um ano como diácono e nessa época, nós saíamos do seminário e íamos para alguma paróquia fazer a experiência pastoral aguardando o momento de sermos ordenados padres. Ainda como diácono, o Bispo, Dom Arnaldo Ribeiro, me colocou como reitor do Seminário São José. Eu fui e fiquei ali durante quase nove anos, tiveram momentos em que eu tinha quarenta seminaristas na formação que era humana, afetiva, religiosa e toda essa gama que compõe a personalidade humana.

Após esse período, eu fui ordenado sacerdote no dia 2 de junho de 1996, às três horas da tarde, eu e mais sete companheiros, numa grande celebração que foi na Cava do Bosque em Ribeirão Preto, porque o Dom Arnaldo queria fazer uma propaganda vocacional com a nossa ordenação. Então, foi uma multidão sem fim que não coube lá, inclusive, um tio meu não conseguiu entrar.

Depois de trabalhar no seminário, eu fui para a Itália, morei lá durante dois anos e meio, estudei em um instituto vinculado ao Vaticano, onde fiz uma especialização na área teológica e também na área de Mariologia. Depois, voltei para o Brasil e vim direto para cá. Ainda quando eu era reitor do seminário, nos finais de semana, logo depois do café da manhã, eu vinha para São Simão com cerca de dezoito a vinte seminaristas e ficava assistindo aquela paróquia até domingo à noite, quando retornava para Ribeirão Preto, onde fica a sede do seminário. Mesmo assim, eu nunca fui residente em São Simão, apesar de também ter recebido ali o título de cidadão.

Desde que eu voltei da Itália, eu fiquei três meses em Ribeirão, na Paróquia São Miguel Arcanjo, lá no Jardim dos Bancários, esperando os Canossianos deixarem essa paróquia aqui de Santa Rita para que eu pudesse chegar. Então, tomei posse no dia 4 de julho de 2005 e estou aqui até hoje.

Nós desenvolvemos alguns trabalhos que estavam no coração e no desejo do nosso povo, por exemplo: A completa e total restauração da Igreja Matriz, que foi toda restaurada com a ajuda de uma grande equipe, que aproveito a oportunidade para agradecer por todo o apoio, abertura, não só da equipe, mas de todo nosso povo santa-ritense que numa grande adesão possibilitou a restauração da nossa Igreja Matriz que um ano depois conseguimos também, ao fim de um processo muito complicado, transformá-la em Santuário dedicado a Santa Rita, um dos poucos no mundo dedicado a Santa Rita de Cássia.

Reformamos também toda a Igreja do Rosário, terminamos de construir a Igreja de Santa Josefina Bakhita. Reformamos de forma geral a igreja de São Francisco de Paula, compramos uma sede pro Jardim Planalto, fizemos algumas melhorias na Casa Paroquial, também restauramos de forma geral o Salão Paroquial e construímos a nossa pequenina capela que acolhe os padres para a oração.

Além das reformas, demos continuidade aos trabalhos pastorais, elaboramos alguns grupos novos, como exemplo: o grupo das Mães Que Oram Pelos Filhos, fomentamos um pouco mais o Grupo dos Coroinhas Acólitos e Clarissa, nasceu o grupo que valoriza a vida de pessoas que fazem experiência do álcool, das drogas e enfim, procuramos sempre estarmos atentos às necessidades do nosso povo. Nasceram alguns projetos sociais neste período, como o SOS Fraldas São Francisco, em que nós assistimos cerca de cem enfermos. Porque veja bem, um pacote de fralda, às vezes, não é nada para uma família, às vezes um doente, um paciente idoso, um acamado - e nós temos acamados de mais de 15 anos - são vários pacotes de fraldas ao mês e isso interfere no orçamento das famílias. Por isso, essa ajuda é muito importante e nós oferecemos a confecção das fraldas. É um grupo de pessoas maravilhosas, de pessoas responsáveis que se comprometem com a dor dos outros. Além da confecção das fraldas, nós fabricamos alguns apoios noturnos e é um grupo que possui uma organização impecável, temos acesso aos doentes e quando algum vem a falecer outro entra na lista para receber os produtos.

Nós temos também o Projeto Maria - Por um mundo mais solidário, que fica na Vila São Salvador, conhecido Formigão. Esse projeto tem a vocação de estar atento às dificuldades mais prementes ao que se refere às necessidades básicas, eles promovem, duas vezes por ano, uma no primeiro semestre e outra no segundo, o Encontro das Grávidas. Durante uma semana, elas se reúnem e nós solicitamos também que os esposos ou companheiros também participem desse encontro aberto, não só para católicos, é para quem está esperando um bebê e ali, durante essa semana, vai o médico, a enfermeira que ensina o banho, vai psicólogo, enfim, vão vários profissionais da área que ajudam a fazer crescer a consciência daquela que vai ser mãe e daquele que vai ser pai. No final do encontro, nós oferecemos um pequeno enxoval para o bebê que, às vezes, é o único que ele vai ter. Inclusive, damos até um trocadorzinho e, graças ao coração generoso do nosso povo de Santa Rita, nós temos muitos berços, cadeirinhas e carrinhos que nós sorteamos, pois o número de participantes é alto: chegamos a ter 50, 55 grávidas cada encontro.

O Projeto Maria, agora, está distribuindo também, toda última sexta-feira do mês, uma cesta básica para algumas famílias assistidas. Na última sexta-feira de fevereiro, nós distribuímos 45 cestas para as famílias que estão cadastradas e também aos doentes.

Nós ainda temos outro projeto chamado: "O remédio é colocar a mão na massa". Como a cidade aqui é formada eminentemente de famílias italianas, nós temos um projeto que nasceu de um grupo de senhoras que fazem as massas italianas, elas fazem de tudo: do rondelli ao macarrão! É uma massa deliciosa! Por exemplo, na festa italiana, as massas da nossa barraca do Projeto Maria, em grande maioria, vem desse projeto. Ou seja, é um projeto ajudando o outro.

Quem compra a massa recebe um folder explicando direitinho para onde vai aquele dinheiro e cem por cento do que é arrecadado é injetado nas necessidades dos nossos irmãos. As necessidades são tantas, que, com esse dinheiro, a gente ajuda os socorro que vão desde a completação de aluguel, gás, bota ortopédica, óculos e frutas para quem está acamado. Enfim, uma gama de socorros com o projeto "O Remédio é colocar a mão na massa".

Além dos projetos, nós temos várias pastorais, vários grupos e vários movimentos. Por exemplo, nós temos o movimento RCC (Renovação Carismática Católica), o movimento do ECC, dentre outros. Enfim, a Paróquia é um grande jardim, com flores de todo tipo, de todo tamanho, de todas as cores e de todos os perfumes. O importante é que todas essas flores estejam juntas no mesmo jardim para que todos possam ter expressão e oportunidade de se expressarem no que refere às suas vidas e experiências de fé.

O Santarritense: Padre, qual a importância da nossa cidade para o senhor?

Pe. Tadeu: Como eu disse antes, a cidade tem uma importância vital. Eu não me vejo respirando em outro lugar, eu não me vejo vivendo em outro lugar. Eu não me vejo ocupado com outro segmento de fé que não seja aqui, embora, sempre existe no coração, a disponibilidade de estar a serviço do Bispo, onde ele me mandam, eu vou! Com fé e alegria.

O Santarritense: Qual o seu lugar preferido aqui na cidade?

Pe. Tadeu: É o Santuário! Eu amo estar ali! Amo essa igreja e amo Santa Rita. O interessante é que quando eu estava na Itália, antes de eu ir embora, eu não sabia para onde eu ia. Por isso, eu visitei, uns dias antes, dois Santuários: O Santuário dedicado a São Miguel Arcanjo e o Santuário de Cássia, onde está o corpo de Santa Rita.

Depois disso, eu vim para cá e fiquei esperando na Paróquia de São Miguel Arcanjo para vir para a Paróquia de Santa Rita, veja só, este já era um anúncio.

O Santarritense: Agora algumas perguntas mais descontraídas sobre o senhor: Qual é o seu prato preferido?

Pe.Tadeu: Eu gosto muito de carne, de qualquer jeito. Gosto muito de massa porque a minha família toda é italiana e eu não posso negar um nhoque.

O Santarritense: O que o senhor gosta de fazer no tempo livre?

Pe. Tadeu: Eu gosto muito de ler, gosto de leituras variadas, é isso… ler!

O Santarritense: Qual foi o momento mais feliz da sua vida?

Pe. Tadeu: O momento mais feliz da minha vida foi o dia da minha Ordenação! Só de recordar, eu me emociono. Porque, para mim, foi uma longa caminhada para chegar ali, eu enfrentei as dificuldades que já relatei. Mas, o mais importante, é que eu entrei para ser ordenado de braços dados com o meu pai e com a minha mãe. Foram eles que me levaram até ao altar para ser ordenado. Então, para mim, foi uma grande alegria! Não era só a realização da minha vocação ser padre, mas eu a reuni com a minha mãe e com meu pai. No primeiro momento da minha vida, eu era muito novo e eu dou razão para eles, eles fizeram o papel de pais. Mas, eles irem comigo, me realizou duplamente.

O Santarritense: Padre, sobre o futuro da nossa cidade, o que o senhor espera?

Pe. Tadeu: Eu espero que o nosso povo seja sempre ouvido, respeitado e promovido, porque o nosso povo é um povo muito bom. Independente de qualquer governo, eu espero que o nosso povo tenha essa plataforma de vida para que todos possam ter a mesma oportunidade de realizar-se. Então, existe um problema hoje que vemos muito forte na sociedade brasileira, porque a nossa sociedade santa-ritense está mergulhada em um contexto muito difícil nos nossos dias, que é essa sociedade presa e encurralada, digamos assim, por tantas situações. A pandemia, é claro, que pegou todo mundo de surpresa e nos restringiu a um convívio muito diminuído, vem em primeiro lugar. Eu vejo que todos precisam de certas condições para poder viver bem: saúde, educação, trabalho, moradia e isso a nível nacional, porque aquilo que pressiona a nação, automaticamente nos pressiona enquanto cidade. Então, é uma expectativa, uma esperança que eu tenho no coração, que ultrapassa esse aspecto. Mas, eu tenho certeza absoluta que tudo vai entrar nos seus eixos. Por mais difícil que esteja, por mais dificuldades que tantos de nós estamos enfrentando, eu tenho certeza que tudo isso vai passar, porque nós estamos mantendo, dentro de nós, a esperança e a fé. Nada é maior do que o amor de Deus por nós e o amor de Deus nos educa. Então, eu espero que eu e todos nós estejamos com os ouvidos da alma abertos para entender essa situação a partir da ótica do evangelho de Jesus e entendermos que nós somos responsáveis uns pelos outros, eu sou responsável por você e você é responsável por mim. É interessante porque o coronavírus é um vírus comunitário. É um vírus que está agindo na comunidade. Por isso, nós devemos olhar para ele a partir da ótica da comunidade. Eu não posso viver dentro dessa pandemia de forma individual ou individualista. Nós temos que estar dentro desse momento de forma comunitária e entender que tudo isso é uma grande escola. É claro que Deus não quer a pandemia, lógico que não. Mas, Deus permite certas situações para que a gente possa crescer e avançar na consciência, porque diz a Escritura que não cai uma folha de árvore sem que Deus saiba, ele está ciente de tudo e o meu desejo é que ele nos ajude a irmos para a frente juntos, é isso que importa.

O Santarritense:

Padre, para encerrarmos:

Santa Rita do Passa Quatro é...

Pe.Tadeu: Paraíso!

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