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Antenado

Por Schubert Persine

Lockdown: a cidade fantasma

Ouço a minha avó dizendo, " nunca volte para o lugar onde você já foi feliz". O lockdown me fez entender o que aquela sábia senhora queria dizer.

Por Da Redação

26/03/2021 às 15:27:26 - Atualizado há

Quarta-feira, 17 de março, o prefeito da maior cidade da região decreta lockdown, longe do agitado dia-dia que vivemos. Uma sensação que todos pegaram estrada e sumiram.

A procura de uma pseuda-paz eu não sei quantas vezes peguei Estrada e fui parar em cidades próximas com um único intuito: sentar no banco da praça principal e ficar lendo um jornal sem dizer nada - nem bom dia, ou boa tarde e nem nada. Um verdadeiro Zé Ninguém.

Em tempos de Lockodown não precisaria nada disso, o próprio sossego e a sensação do vazio faz você desfrutar desse sentimento de fuga de si mesmo.

A verdade é que as circunstâncias são outras, existe uma pandemia, um vírus mortal e não é só a liberdade de ir e vir como está na carta magna.

Existe a obrigatoriedade imposta.

Não sei quantas vezes nos meus devaneios, momentos de tristeza, saudade e até mesmo uma possível "depre" recordava da minha "Pásargada", era lá que eu queria estar.

Não sei quantas vezes eu fiz essa viagem, e mesmo sem ser amigo do rei (apenas conhecido), andava pelas ruas com os seus paralelepípedos, conversava com amigos e isso bastava para me recompor.

Ouço a minha avó dizendo, " nunca volte para o lugar onde você já foi feliz". O lockdown me fez entender o que aquela sábia senhora queria dizer.

No conforto de nossa casa, a solidão de uma cidade cheia de gente, porém vazia, como se estivesse passando um filme desses mundos perdidos.

Para quem assistiu o filme apocalíptico " A Estrada", ele transporta aquele mundo quando essas cidades com casas e prédios suntuosos, com poucas criaturas vagando pelas suas ruas, podemos ver as suas belezas apesar do antagonismo.

Camuflado nesses cinco dias impostos em nome da ciência viajei e pedi desculpa a Manuel Bandeira parque a minha Pasargada já não é mesma.

Quando a vontade de querer sumir aparecer, quero ir para aquelas cidades do fundão de Goiás e ficar admirando aquela gente simples que conheci numa das crônicas de Rubem Braga.

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